Regulação depende de rede de internet para funcionar
Vinícius Menna e Roberto Lucena - RepórteresInaugurada no dia 18 de fevereiro e tendo como investimento a cifra de aproximadamente R$ 500 mil, a Central de Regulação Metropolitana, implantada pelo Governo do RN, é responsável pela autorização e marcação de exames de alta complexidade, contudo está em falta com um de seus objetivos: a regulação dos leitos clínicos e cirúrgicos. Segundo o secretário de Saúde do RN, Luiz Roberto Fonseca, a rede já está instalada na região metropolitana, mas os municípios devem fornecer a estrutura de internet e disponibilizar as informações sobre os leitos que estão disponíveis nos hospitais. A Central integra um pacote de serviços executados em caráter de emergência, lançado no segundo semestre do ano passado.
Adriano Abreu
Hospital Deoclécio Marques tem equipe treinada, mas não tem
internet para viabilizar osistema
A TRIBUNA DO NORTE percorreu hospitais da região metropolitana de Natal para verificar se o sistema Sisreg 3, disponibilizado pelo Ministério da Saúde para a regulação dos leitos, está em efetivo funcionamento. Caso estivesse em uso, o sistema permitiria às unidades cadastradas solicitantes realizar a consulta das vagas disponíveis nos hospitais da rede pela Internet, além de alimentar esse sistema com vagas que tivessem em disponibilidade para oferecer a outras unidades.
O Hospital Regional Deoclécio Marques Lucena, em Parnamirim, possui uma equipe treinada para operar o programa, porém o contato pelo Sisreg está inviabilizado porque o hospital está sem Internet há mais de um mês. Segundo funcionários, a consulta de vagas de leitos em hospitais voltou a ser realizada por meio de telefone, em contato com outras unidades, através das Unidades de Gerenciamento de Vagas (UGVs).
Enquanto isso, os corredores do hospital do Estado estão repletos de pacientes em macas. De acordo com os funcionários do hospital, a dificuldade para encontrar vagas em outros hospitais persiste e a equipe de enfermaria trabalha no limite para atender à demanda.
Adriano Abreu
No Hospital Café Filho, em Extremoz, a direção espera ampliação
de leitos para integrar a rede
Em Macaíba, o Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho passa por reformas, funcionando apenas com clínica médica e internamento. Os serviços de urgência e emergência ficaram por conta da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), que é gerida em parceria do Município com o Governo Federal. Tanto no hospital como na UPA, os contatos para transferências de pacientes, além da realização de exames e consultas especializadas ainda são feitas por telefone, através dos contatos diretos com as UGVs.
“O sistema ainda está em fase de implantação. Foi criado, mas ainda está entrando nos eixos. Não está funcionando em sua plenitude”, informou a diretora geral do Hospital Regional de Macaíba, Altamira Galvão de Paiva.
Dos 21 leitos do Hospital Regional de Macaíba, apenas 12 estavam ocupados. De acordo com Altamira Galvão de Paiva, após a reforma, que deverá ser concluída em junho, o hospital terá condições de oferecer serviços de obstetrícia, clínica cirúrgica, além de ampliar a clínica médica.
“As maternidades de Natal estão funcionando com a capacidade máxima”. A afirmativa é do secretário adjunto da secretaria Municipal de Saúde (SMS), Ion de Andrade, que culpa a demanda oriunda do interior do Estado pela lotação nas três maternidades que estão sob a responsabilidade da Prefeitura do Natal. Somente neste ano, as maternidades das Quintas, Felipe Camarão e Leide Morais realizaram 1.146 partos. Cerca de 30% destes, foram em mulheres vindos de outros municípios potiguares.
Maternidades de Natal estão no limite
A situação do atendimento materno-infantil na capital do Estado já foi alvo de ações judiciais. O Ministério Público Estadual (MPE) ingressou, ainda no ano passado, com uma ação que resultou numa decisão judicial obrigando o Município de Natal a melhorar o atendimento nas maternidades e oferecer o serviço de cesárias que, por determinado tempo, ficou suspenso. Ion de Andrade explica que a decisão foi cumprida pela atual administração, mas ressalta que ainda há problemas a serem solucionados. “O que gera essa crise que estamos presenciando é a quantidade de mulheres que dão à luz, em partos normais, em Natal”, disse.O atendimento materno-infantil foi tema de uma reunião realizada na última segunda-feira na sede da secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Ion de Andrade participou do encontrou que contou com a participação de membros do MPE e do titular da Sesap, Luiz Roberto Fonseca. A secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) anunciou, durante reunião realizada ontem, uma série de medidas que visam a melhoria do atendimento na rede materno-infantil do Rio Grande do Norte. Entre os participantes, havia o consenso de que é preciso resolver a questão que envolve a vinda de pacientes do interior para a capital do Estado.
Alex Régis
Severina Oliveira, de Nova Cruz, percorreu quatro unidades e
parou na Maternidade das Quintas
Diariamente, dezenas de ambulâncias chegam às portas das maternidades de Natal com pacientes das mais diversas regiões potiguares. São parturientes como a dona de casa Severina Oliveira, 33 anos, de Nova Cruz, município distante 93 quilômetros da capital.
Antes de ser atendida e dar à luz ao seu bebê, Severina percorreu quatro hospitais. No sábado passado, ela foi à Tibau do Sul. No dia seguinte, foi encaminhada para a Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), em Natal. Na MEJC, foi detectado que o caso não era de risco e, portanto, foi encaminhada para a Maternidade das Quintas. Lá, ela ficou um dia e, na última segunda-feira, foi levada, às pressas pelo Samu, para a Maternidade das Quintas.
Devido à peregrinação, Severina acabou contraindo uma infecção e, por causa disso, terá que ficar hospitalizada por mais alguns dias. A Maternidade das Quintas está lotada. Lá, são 30 leitos ao todo. A unidade realiza partos normais e cesárias. “É muito difícil ter algum leito desocupado. Estamos sempre lotados e muitos pacientes são do interior mesmo”, disse a diretora da maternidade, Aloma Tereza.
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