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quarta-feira, 6 de março de 2013


Condenado no STF por chefiar Mensalão lança candidatura de Fátima ao Senado

Data: 05 março 2013 - Hora: 18:46 - Por: Ciro Marques
José Dirceu fez questão de dar um “abraço” em Carlos Eduardo na visita a Natal. Foto: Claudio Abdon
José Dirceu fez questão de dar um “abraço” em Carlos Eduardo na visita a Natal. Foto: Claudio Abdon
A deputada federal Fátima Bezerra, do PT, é uma das favoritas para a disputa pelo Senado Federal em 2014, tanto na visão da cúpula local do partido, quanto dos potenciais eleitores – segundo pesquisa da Consult, em fevereiro. E na visão do ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, não é diferente. Considerado o chefe da quadrilha do maior escândalo de corrupção da história recente, conhecido como mensalão, Dirceu afirmou ontem que, para que Fátima seja mesmo candidata, tudo depende da conjuntura nacional que o PT vai vivenciar no próximo ano.
“Fátima Bezerra tem todos os méritos para ser candidata ao Senado, pelos mandatos que ela exerceu, pela história que ela tem de dedicação ao Estado, tudo que ela tem feito pelo Rio Grande do Norte. Mas isso é uma questão que ela e o PT, que gira em torno da questão presidencial, mas acho que o Rio Grande do Norte estaria muito bem representado com a Fátima no Senado”, afirmou José Dirceu, que esteve em Natal nesta segunda-feira para participar de uma palestra/debate, na Assembleia Legislativa do RN, promovido pelo PT sobre os 10 anos do partido no poder do Governo Federal.
Por sinal, não é só a candidatura de Fátima que está condicionada a conjuntura nacional. Segundo José Dirceu, toda a disputa eleitoral de 2014 está limitada pela forma como o Partido dos Trabalhadores vai trabalhar a questão das alianças partidárias. “O PT tanto pode ter uma candidatura própria, porque tem nomes para isso, como pode se aliar. O objetivo do PT é a questão nacional sempre. É mais importante sempre para nós. Tanto é assim que em 2010 nós privilegiamos a eleição de senadores, tanto é que revertemos a questão do Senado e o PT ainda ganhou cinco governos de estados”, avaliou.
As declarações de José Dirceu, inclusive, podem ser entendidas como uma “espera” do partido pelo posicionamento do PMDB, aliado importante no aspecto nacional e que pode lançar o nome de Henrique Eduardo Alves, atualmente presidente da Câmara Federal, para o Senado. Atualmente, o PMDB apoia o DEM no quadro estadual, mas vive a possibilidade de rompimento para se unir a oposição local e lançar candidatura própria, tanto para o Governo, quanto para o Congresso. Além do Senado, o PMDB também pode ter a candidatura própria ao Governo do Estado, o que tiraria, também, o nome de um petista do páreo.
Por sinal, diferente do que pensa o vereador petista de Natal, Fernando Lucena, que na semana passada afirmou que o PMDB e o DEM eram “farinha do mesmo saco” e defendeu que o PT lançasse nomes próprios para Governo e Senado, José Dirceu demonstrou mais “complacência” com os peemedebistas e ressaltou a importância do partido, acrescentando que espera que ele permaneça coligado, nacionalmente, ao PT para o pleito de 2014.
“É natural (a aliança com o DEM no Estado, mesmo sendo parceiro do PT nacionalmente). Há muitas diferenças regionais no Brasil, mas o PMDB é o principal partido de sustentação do governo Dilma, assim como foi do presidente Lula. A aliança foi reafirmada agora na convenção nacional do PMDB e independentemente de questões regionais, tenho certeza que nós vamos marchar com o PMDB em 2014 e vamos vencer as eleições”, previu.

Agenda de Dirceu: Visita a Carlos Eduardo e café com Wilma
A agenda do ex-ministro chefe do Gabinete Civil no Nordeste está apertada. Todos os dias, uma capital diferente para palestrar sobre os 10 anos do PT no Governo Federal. Contudo, em meio a viagens e compromissos partidários, a liderança petista encontrou tempo para dar um abraço e conversar, mesmo que de forma rápida, com o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, do PDT.
Na manhã de hoje, segundo a agenda de Dirceu, a intenção era tomar um café com Wilma de Faria, ex-governadora e atualmente vice-prefeita de Natal. A presidente estadual do PSB é outra amiga que José Dirceu – condenado a 10 anos e 10 meses por liderar, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), o escândalo nacional do Mensalão – tem em Natal.
“Todas as vezes que venho a Natal, faço questão de ir dar um abraço no prefeito Carlos Eduardo e na governadora Wilma”, afirmou José Dirceu, ressaltando que na última década, pelo menos uma vez por ano, veio a Natal. “Talvez uma das grandes qualidades do PT  é que tivemos a humildade de buscar conhecer o Brasil nestes anos de mandato”, acrescentou.
E, pelo menos em Natal, o ex-ministro e ex-deputado petista foi bem recebido, sobretudo, pelos correligionários. No evento da Assembleia, quando chegou para a palestra – que alguns chamaram de debate, apesar de não ter ninguém para defender a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – foi recebido com gritos de “guerreiro”. Do lado de fora, apenas um grupo formado por cinco homens protestavam contra a presença de Dirceu em Natal. “Essa é a direita disfarçada”, ironizaram alguns petistas do local.
De qualquer forma, José Dirceu foi sim condenado no Mensalão e, mais que isso, foi apontado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, como o líder da quadrilha que se instalou no Governo Federal durante a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Condenação essa, inclusive, que o ex-ministro ainda pretende recorrer.
“Tenho o direito de recorrer, por isso eu vou fazer isso com um embargo de declaração. Quando a sentença transitar em julgado (no STF), vamos ver o que vamos fazer. Se vamos recorrer a uma corte internacional”, afirmou José Dirceu antes de começar a palestre do PT.
Até porque, depois que começou, a condenação foi citada apenas uma vez e o petista evitou até usar o termo “Mensalão”. “Não vou nem falar da ação penal 470 que todo mundo sabe o que é que foi”, afirmou José Dirceu durante o discurso em que comparava os anos de gestão de Fernando Henrique Cardoso à década de administração PT.
Depois do café da manhã com Wilma de Faria, José Dirceu seguirá com um discurso parecido para João Pessoa. Ainda nesta semana vai para Maceió, Aracaju e Vitória, para terão palestras semelhantes a que foi realizada em Natal. (CM)
Para ex-ministro, regulação da mídia é uma das prioridades do PT
As reformas política e a tributária e a polêmica regulação da mídia são as três prioridades do PT, segundo afirmou o ex-ministro da Casa Civil do governo do ex-presidente Lula, José Dirceu. Segundo ele, inclusive, não há dúvidas que o Brasil melhorou depois da chegada do PT à presidência da República.
“Reforma política, tributária e regulação da mídia são as três bandeiras do PT. Do PT, porque o Governo e o PT não são as mesmas coisas”, afirmou o pestista durante a palestra onde ele comparou o governo atual a gestão do PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e também o futuro da gestão federal. “Vocês lembram do governo FHC? Dobrou a dívida interna. O Brasil quebrou duas vezes com ele”, relembrou.
Em outro momento, falando novamente sobre a regulação da mídia, que foi citada várias vezes, Dirceu defendeu a medida como forma de dar mais democracia aos meios de comunicação. “Dizem que nós queremos controlar a mídia quando, na verdade, são eles que controlam a mídia (se referindo ao fato dos “políticos conservadores” serem proprietários de muitos veículos de comunicação). E uma regulação existe em todos os países do mundo”, defendeu.
Com relação a atual política da presidente Dilma Rousseff, Dirceu afirmou que o Brasil estava investindo mais em Educação e buscava o desenvolvimento técnico, como forma de cortar custos da produção. “Vocês se dão conta que quem trabalha com a força física ganha menos? Por mais injusto que seja. Quem trabalha 8 horas, 12 horas, ganha menos”, avaliou, acrescentando que “o Brasil começa a enfrentar a concorrência externa no mercado e nas exportações. Precisa reduzir os custos da economia, precisa reduzir a luz e os impostos”.
Dirceu também defendeu os governos dos presidentes chamados progressistas da América Latina. A afirmação vai de encontro as críticas da oposição de que as gestões Lula e Dilma apoiam as ditaduras latinas, como a do presidente (afastado) venezuelano Hugo Chaves. “Por que combatem tanto os presidentes progressistas? Porque eles estão a favor da integração regional”, avaliou, desconsiderando que o Mercosul começou bem antes da administração PT: “A coisa mais importante que temos para os últimos anos é integrar a região da América Latina, que o Lula começou”.
Sobre as críticas da oposição, inclusive, José Dirceu afirmou que o que se pede para o Governo Federal fazer é, exatamente, o que a gestão Barack Obama fez nos Estados Unidos e o país não cresceu. “A oposição tá cobrando a mesma coisa aqui, que é reduzir os juros e cortar os gastos, mas foi isso que fizeram lá e não deu certo”, avaliou.
Dirceu também afirmou que era preciso a reforma agrária ser revista, uma vez que a bandeira de luta petista em outras décadas, agora, não se encaixava mais na gestão atual. “A pobreza não acabou, nem a miséria acabou. Quando criarmos mais 17 milhões de empregos ela vai acabar. Mas ela está controlada”, afirmou, ressaltando que a erradicação da miséria, outra bandeira de luta petista, segue a mesma. (CM)

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